Série Medicamentos em gramas por litros, 2022

Medicamentos vencidos colados.

Cada 1 quilo de medicamentos descartados incorretamente é capaz de contaminar 450.000 litros de água.
O título traz o peso, em gramas, e a quantidade de água, em litros, que estes medicamentos deixaram de contaminar.

Estes 10 trabalhos apresentados, de uma série com 21 produzidos até agora, totalizam um peso total de 90,7 gramas / 40.815 litros de água não contaminados.   

 

Conforme estudo divulgado em 2019, na revista Cientific American, a concentração de antibióticos em alguns rios ao redor do mundo excede os limites de segurança em até 300 vezes. No Brasil, aproximadamente 14 mil toneladas de medicamentos perdem a validade por ano, sendo na maior parte descartados de maneira ambientalmente incorreta, no lixo comum, no esgoto ou no solo. Foram analisadas amostras em mais de 70 rios, nos seis continentes do mundo, e o alarmante resultado foi de que 65% das áreas analisadas apresentam contaminação por antibióticos. Fonte: Eco Response.

 

Apresentados como mini esculturas, o trabalho faz alusão ao poder persuasivo da indústria farmacêutica e critica o uso por vezes exacerbado em humanos e animais, bem como a facilidade de assimilação por parte dos adultos e a preocupante e crescente normalização do consumo por parte das crianças.

 

Série Formatura Ginasial de 1958 do Colégio Santa Catarina de São Paulo. Total de 25 trabalhos, 2022

Impressão de esporos de cogumelo sobre fotografia antiga.

Desenvolvida a partir da técnica de impressão de esporos de cogumelos, usada para captação de micélio, o processo consiste em deixar a “chapeleta” do cogumelo sobre uma superfície, podendo esta ser prensada ou deixada em isolamento de ar com um recipiente côncavo por cima do cogumelo.

 

A superfície escolhida para esta impressão foram fotografias de 1958, mais precisamente, um álbum de fotos de uma formatura ginasial do Colégio Santa Catarina de São Paulo. Nos retratos vemos mulheres e homens, brancos, de classe alta, com sobrenomes e fenótipo de descendência européia, dos colonizadores do Brasil. São professores e alunos de um tradicional colégio particular de São Paulo, em 1958. 

 

O conceito gira em torno de uma relação metafórica e semântica entre os aspectos referentes a colonização européia no Brasil, com os processos de colonização observados nas colônias de cogumelos e as características intrínsecas do Reino Funghi. Os fungos e os cogumelos dependem de outros seres vivos para a nutrição, eles obtêm alimento de outros seres com os quais se associam. Os seres humanos têm características similares, principalmente quando olhamos a verdadeira história por trás dos processos de colonização, baseados em grandes genocídios, com extermínio dos povos originários, escravidão e apagamento de culturas. 

 

Como consequência vemos a devastação dos ambientes naturais, a exploração da pobreza, os sistemas de controle social e o racismo estrutural.
Este trabalho discute estas relações e joga luz nos processos de reparação histórica e de colonização, a partir da analogia de reimpressão e ressignificação das fotografias, com a introdução de um novo elemento, que na natureza está presente do início ao fim dos processos da vida.

 

Série Empíricos, a partir de 2017, em andamento. 

Instalações de tamanhos variados, mais de 200 peças produzidas no total.

Cerâmica e porcelana de alta temperatura em 6 tonalidades naturais diferentes, com aplicação de esmalte parcial, total ou nula.

Fotos: Rodrigo Erib, Galeria Kogan Amaro e Conrado Zanotto.

 

Conjunto com aproximadamente 200 peças.
Trata-se da materialização gestos em formas orgânicas, constituídas individualmente, com zelo, cada qual com seu tamanho, cor, peso, textura e acabamento. 
O projeto tomou corpo a partir de formas orgânicas, que passaram a conversar entre si, e se revelaram em encaixes, não planejados a priori. 
O processo pediu interações contingentes entre as peças que, com isso, passaram a ser elaboradas sobre o princípio da coexistência, onde o gesto se tornou consciente e parte integrante de outro, que se juntam conforme a experiência de montagem, constituindo assim uma instalação. 
Neste trabalho, faço uso diferentes tipos de barros, provindos de diferentes lugares, desde os mais rústicos, até a porcelana, de acabamento fino. 
Constam também as argilas tradicionais, de diferentes cores, que variam entre branco, preto e tons de marrom como tabaco, creme e terracota. 
A busca pela variação de tipos e cores, a preparação, a modelagem manual peça a peça, com tratamento individual, são exercícios do devir artístico que experimento desde 2017, o que torna este um trabalho em processo constante.

 

EVOLução I & II, Série Empíricos, 2021.

Cerâmica tabaco, alta temperatura com vitrificação parcial e madeira.

25 x 16 x 15 cm | 30 x 09 x 07 cm.

Fotografia: Conrado Zanotto.

 

A Série Empíricos consiste em gestos materializados em formas, modeladas em diferentes tipos de materiais. O empirismo é considerado uma atitude que se apoia no conhecimento prático, uma teoria segundo a qual o repertório deriva de experiências, captadas do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, através da introspecção. Nestes trabalhos, chamados de EVOLução (uma referência a palavra LOVE, em caixa alta, escrita ao contrário) experimento a integração de diferentes materiais, explorando o contraste entre o efêmero da madeira e o durável da cerâmica, buscando integra-los de maneira imperceptível na mesma peça. Esta união entre os materiais se refere a união entre as pessoas que se amam, por maiores que sejam as diferenças físicas, o amor representa esta verdadeira evolução, na prática da convivência, formando uma coisa só.

 

Paisagens Empíricas. 2020.

12 x 10 x 5 cm / 15 x 10 x 4 cm.

Cerâmica marfim queimada em forno artesanal e musgo.

Fotos: Conrado Zanotto.

 

Construções Utópicas para Quarentena, 2020.

Tamanhos variados. Barro com cimento, tijolo, madeira, nó de pinho, folha, galho, cogumelo, pedra, musgo.

Fotos: Rafael Lefcadito.

No início de março de 2020, foi decretado o estado de pandemia global devido ao surto de COVID-19, consequentemente, o primeiro lockdown. 
Eu estava na residência artística Kaaysá Art Residency, em Boiçucanga, SP, com cerca de 10 artistas. 
Ficamos confinados no agradável espaço da residência, desenvolvendo os trabalhos em um ateliê coletivo. 
A produção tomou outra proporção devido a impossibilidade de sair. Foi quando surgiram estes trabalhos, baseados em reflexões sobre os modos de (con)viver e habitar. Inteiramente produzidos com itens coletados no local e arredores, estas construções propõem maneiras utópicas de habitar e existir a partir do que temos disponível na natureza, e buscam trazer para estes espaços um pouco de nossas raízes ancestrais.


 

Empíricos para Brincar, 2021.

Instalação site specific. Construção de terra e cimento ensacado, reboco tradicional de areia e cimento, tinta barro, spray e verniz.

220 cm de diámetro x 80 cm de altura.

Fotografia: Rafael Rodrigues Ribeiro.